Evolução e comportamento

Cães domésticos são lobos que sofreram seleção para domesticação, este processo, na maioria dos casos, consiste em selecionar os animais com comportamentos mais infantis. Eles continuam sendo lobos, podemos classifica-los em uma subespécie, Canis lupus familiaris, mas não em uma espécie distinta, visto que as diferenças genotípicas são mínimas. Algumas pessoas no mundo da cinofilia defendem a ideia de que cães não são lobos, para defender esta ideia afirmam que: a convivência com o homem fez surgir mutações que favoreciam a relação, porém isto é uma visão Lamarckista do processo evolutivo e não Darwiniana. Mutações ocorrem ao acaso e não por necessidade. As poucas mutações que diferenciam cães e das outras subespécies de lobos não tem relação direta com o processo de domesticação. Mas claro que existem grandes diferenças fenotípicas entre lobos e cães, elas são decorrentes da seleção de genes já existentes em lobos. Nós humanos selecionamos os lobos mais “bobinhos”, os mais infantis, ou que eram mais submissos, os com tendência a ômega; não era interessante para o convívio um lobo que disputasse a posição de alfa do grupo com um humanos, ou agressivos. Esta seleção ao longo do tempo gerou lobos infantilizados, nossos cães. Se observarmos lobos jovens com menos de 9 meses vemos muitas semelhanças entre eles e nossos cães, tanto características físicas como comportamentais, latir é um exemplo, vemos lobos adultos latindo, mas em raríssimas ocasiões. Comportamentos complexos como pastoreio, guarda e patrulha de território são traços de comportamentos observados em lobos, nós apenas selecionamos.

Entendendo a taxonomia para compreender a evolução canina.

A classificação biológica proposta por Lineu agrupa os seres vivos por grau de similaridade, nos seguintes grupos: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. Pode haver sub e super grupos, por exemplo o termo subespécie. A classificação se baseia em proximidade evolutiva, antigamente usávamos os fenótipos para comparar, atualmente o genoma de cada espécie é uma das melhores ferramentas para este tipo de análise. O nome de cada Espécie é comporto por duas palavras e primeira indica o Gênero, deve ser escritos em destaque com a inicial do Gênero em maiúscula, exemplo Canis lupus. Alguns taxonomistas defendem o uso de subespécies outro a transformação de muitas subespécies em espécies. Vamos seguir o que é mais comum, classificação com uso de subespécies.

O Gênero Canis apresenta muitas espécies como Canis aureus, Canis rufus, Canis simiensis . Como o foque é o cão doméstico estamos falando da espécie Canis lupus , a classificação atual divide esta espécie em muitas subespécies, dentre elas Canis lupus familiaris (cão doméstico), porém existem outras subespécies e sua distribuição segue a figura abaixo.

O cão doméstico tem maior grau de parentesco com o Canis lupus arabs que ocorre na região do oriente médio, mas o processo de domesticação provavelmente ocorreu diversas vezes e com outras subspécies, o cão atual é originário da mistura destes lobos domesticados, com carga genética maior do lobo árabe, como mostra trabalho publicado na Nature  (http://blogs.nature.com/news/thegreatbeyond/2010/03/doggies_desert_development_dec.html). Outra subespécie que apresenta grande parentesco é o Canis lulus pallipes. Duas fotos destas subespécies seguem abaixo, vale apena ressaltar que as diversas cores presentes em cães são observadas em lobos, as cores abaixo não caracterizam as subepécies.

Canis lupus arabs – Lobo árabe

Canis lupus pallipes – Lobo indiano

Mas o que é Evolução?

Teoria Sintética da Evolução se baseia em dois critérios base. Mutação alteração no material genético levando ao aumentando a variabilidade genética de uma espécie através da recombinação gênica e Seleção Natural , esta pode selecionar positivamente, negativamente ou não selecionar uma série de características. Evolução não tem métas ou guias, as mutações não ocorrem por necessidade e sim ao acaso.

No passado Jean Baptiste Lamarck propôs uma teoria evolutiva que se baseava na Lei do Uso e Desuso, quanto mais se usa uma estrutura mais ela se desenvolve e se não usa ela atrofia, e Heranças dos Caracteres Adquiridos, as mudanças passavam de pai para filho. Neste pensamento as características surgiam por necessidade, a Evolução poderia ser direcionada porém estas idéias foram derrubadas por Chales Darwin e sua Teoria Evolutiva e reafirmadas pelo conhecimento atual de Genética e de Dinâmica Populacional.

Muitas vezes não percebemos mais dizemos coisas que fogem do que é Evolução de verdade, estamos pensando como Lamarck. Um exemplo disso são as expressões corriqueira: “os dentes do siso e o apêndice estão sumindo porque não precisamos mais”, ou, “cães de pastoreio ao longo do tempo foram desenvolveram a capacidade de pastorear para auxiliar na lida”. O processo evolutivo não funciona assim, são afirmações errôneas que não refletem a Evolução.

Os cães domésticos apresentam poucas características típicas, quase todas estão presentes nas populações das outras subespécies de lobos, nós selecionamos positivamente algumas características e negativamente outras, mas elas já existiam. Selecionamos muitos genes que eram selecionados negativamente pelo meio para a formação das raças distintas.

A seleção primitiva de lobos para cães favorecia os lobos com comportamento mais infantis, estes arriscam mais, aceitam a convivência com humanos com maior facilidade e são mais dóceis. Provavelmente os primeiros passos desta seleção dependeu deles e não de nós, os grupos mais pacíficos aproveitavam as sobras deixadas pelos humanos. Em algum momento a espécie humana iniciou a seleção, esta favoreceu ainda mais os infantilizados, a análise das características dos cães atuais é um grande indício. Mas eles nunca deixaram de ser lobos, o comportamento instintivo e comunicação é muito parecido em todas as subespécies.

Lobos infantilizados.

O termo “Infantilizado” é empregado para definir um adulto com muitos comportamentos infantis ou juvenis, um adulto “bobão”. Vemos isto em humanos, existem pessoas que são mais infantis, não há nenhum problema nisso, é uma característica presente na população, porém devemos tomar as devidas proporções, um humano de comportamento infantilizado, não tem nada haver com um lobo infantilizado, visto que o comportamento juvenil de um lobo e um humano são muito distintos. Um cão mantém diversos comportamentos de lobos juvenis e não desenvolve muitos comportamentos típicos de adultos. Durante a seleção nós acabamos favorecendo os infantis.

Algumas raças são mais infantilizadas e outras menos, porém perto de uma outra subespécie de lobo, não importa a raça, o cão doméstico terá sempre comportamento mais infantil.

Definir o que é comportamento infantilizado não é simples, alguns comportamentos adultos parecem infantis, lamber a boca e balançar a cauda pode ter vários significados, o lamber a pode ser apenas uma saudação, pedido de comida ou submissão, o balançar de cauda pode ser saudação, agressão, felicidade. Nem sempre estes comportamentos são infantis, mesmo observando que ocorram mais em filhotes.

Seu cão seu lobo.

Nossa espécie apresenta um potencial intelectual muito superior em comparação com lobos, porém em nossas relações com os cães muitas pessoas querem que eles entendam a nossa linguagem, não se comunicam dentro da linguagem lupina, o cão não entende ou demora a entender. O mais fácil e lógico para relação é o homem mudar sua linguagem e não o cão, um estudo simples de comportamento ou a consulta de um “psicólogo animal” de verdade serve de base para relação. Tapas, gritos, castigo, são comportamentos observados em primatas e não em cães, eles não compreendem estas coisas como estímulos negativos e sim agressões, o mesmo é válido para apelidos carinhosos, beijos e mimos, eles não compreendem isto como estímulo positivo. Mas isto é assunto para uma outra publicação.

Thiago Mendes – Canil Moreira Mendes – Schipperke e Tervueren

www.schipperke.com.br & www.tervueren.com.br

Comunicação Natural

Existem diversas formas para nos comunicarmos com nossos cães. Partindo do princípio evolutivo, a forma mais fácil de haver compreensão correta da mensagem por ambas as partes é usando a linguagem natural canina, isto implica compreender corretamente o significado de cada tipo de latido, uivo, posicionamento corporal, movimentações, toques e outros, o estudos profundo da comunicação de lobos selvagens auxilia nesta compreenção. Devido ao nosso potencial intelectual é mais simples e lógico nós humanos usarmos a língua canina nas comunicações cão X homem, o cão compreender a nossa é mais complicado.

Como podemos observar em humanos, toda comunicação gera estímulos e respostas, podemos separar estas comunicações em várias categorias, mas para simplificar usarei apenas 5: estímulospositivos, estímulos negativos, brincadeiras, informações e agressões. Devemos usar a comunicação natural e tomarmos cuidado com a humanização da comunicação, seja ao gerar ou ao compreender a comunicação. Avaliar a intensidade do estímulo dentro dos critérios naturais é muito importante, o que parece delicado para humanos pode ser muito agressivo para um cão.

Nas metodologias convencionais de adestramento a linguagem natural fica muitas vezes esquecida, as comunicações simplificadas em dois critérios, estímulos positivos e estímulos negativos. Estes por sua vem são muito humanizados ou humanos e não caninos. Tapas, gritos, castigo, são comportamentos observados em humanos e não em lobos, nossos cães não compreendem estas coisas como estímulos negativos e sim agressões, vale o mesmo para apelidos carinhosos, beijos e mimos, eles não compreendem isto como estímulo positivo.

Este tipo de comunicação encontra respostas no medo ou na premiação e não no respeito mútuo. Devemos usar a linguagem natural para educarmos nossos cães de verdade. Nós humanos devemos ser os lobos alfa de nosso cães e não os “lideres”, são conceitos bem distintos.

Citarei alguns estímulos naturais em ordem gradativa de intensidade para início da compreensão da comunicação canina, alguns pedem respostas outros não. Vou usar termos simples e não o correto cientificamente. As comunicações devem ser melhor analisadas, alterações sutis podem modificar totalmente o significado.

Estímulos positivos: latidos e grunhidos agudos; orelhas baixas e balançar de cauda; esfregar o corpo; lamber uma vez; deitar de costas; lamber como carinho; lamber a boca; trazer comida; regurgitar comida.

Estímulos negativos: rosnado; uma pata sobre o corpo; uma pata no focinho; mordida fraca no focinho; toque no abdômen; empurrão; bater de dentes; inflar o peito e erguer a cabeça; mordida média no pescoço ou dorso; ignorar o indivíduo; obrigá-lo a deitar-se de costas no chão.

Brincadeiras: latido agudos curto; bater de patas no chão; morder e correr; espojar-se; saltos horizontais, faltar de um lado para o outro.

Informações: olhar e correr em uma direção; posicionamento corporal; latidos ritmados; uivos; ganidos; balançar de cauda; lamber o ar.

Agressões: balançar de cauda ou deixar a cauda para cima, latidos e rosnados alto, bater forte com as patas, mordidas com intenção de ferir em qualquer local corpóreo.

Quando estamos educando nossos cães não faz sentido o uso de agressões, estas geram como resposta mais agressões.

Devemos avaliar a nossa comunicação, muitas vezes pensamos que estamos agradando ou “dando bronca” e na verdade estamos gerando outro tipo de estímulo, nossa comunicação humanizada pode ser compreendida de forma antagônica, o erro não é deles e sim nosso.

Thiago Mendes – Canil Moreira Mendes – Schipperke e Tervueren

Inseminação artificial, fecundação in vitro e cesariana em cães com foco na seleção.

A biotecnologia no geral trás uma série de vantagens e facilidade para um criador, porém como toda tecnologia ela deve ser usada com responsabilidade. Inseminação artificial, fecundação in vitro e cesariana não fogem a regra. Vejo um aumento no uso destas técnicas na cinofilia, mas sem as análises das seleções de caracteres que isto acarretará.
A inseminação artificial permite que o uso um cão para reprodução de outro continente (se quisermos) com grande facilidade de transporte. A fecundação in vitro permite que implantação de embriões da fecundação dos cães de interesse em outro cão e a cesariana pode salvar a vida de uma cadela e de seus filhotes caso dê algum problema no parto. Porém vemos o usos das técnicas não para isto e sim para outros objetivos contestáveis. Vou me ater apenas a inseminação artificial e cesariana que são mais comuns na cinofilia.
Em relação a inseminação artificial o que vejo são muitos criadores e proprietários levando seus cães para cruzar, caso o macho não monte na fêmea fazem uso da inseminação. Em alguns casos, sabendo que o cão terá dificuldade de montar, á inseminação já é a opção inicial. Isto trás sérios problemas, pois uma fêmea recusar um macho pode estar ligado a seleção instintiva dela em relação ao cruzamento (algum problema genético que ambos compartilham e que pode se expressar). Dar preferência a inseminação acaba selecionando cães que não sabem cruzar e esta característica se torna cada vez mais frequente na população. A inseminação artificial só deveria ser usada com cães machos comprovadamente reprodutores eficientes, para eliminarmos o segundo problema citado, não como auxílio e sim como ferramenta para manutenção da variabilidade genética, com cães que estão longe ou até mesmo que já morreram.
Quanto a cesariana, observamos que em algumas raças mais de 70% dos filhotes nascem por esta técnica atualmente, muitas vezes nem se espera a fêmea entrar em trabalho de parto, a cesária é marcada. Isto acaba selecionando fêmeas com problema de dilatação de bacia e de baixa contração uterina, fêmeas que não conseguem ter filhotes naturais. Não nego a técnica, mas ela deveria ser usada quando necessário e se isto for no primeiro parto a fêmea e seus filhotes deveriam ser retirados da reprodução.
A biotecnologia nos permite uma série de variáveis, temos que saber usá-las com sabedoria, pois caso contrário podemos ter mais problemas do que vantagens.
Thiago Mendes

Cães sentem ciúme do dono, diz estudo

23/07/2014

Mulher com cachorro

Cachorro: manifestação mais elementar do ciúme pode afetar cães (Thinkstock)

Uma pesquisa confirmou o que muitas pessoas que têm cachorros já sabem: os cães sentem ciúme de seus donos. Em um estudo publicado nesta quarta-feira no periódico Plos One, os peludos se mostraram mais ciumentos quando seus proprietários eram afetivos com algo que parecia ser outro cão do que quando faziam isso com objetos aleatórios.

No experimento, os autores aplicaram em 36 cães um teste que mede o ciúme em bebês de seis meses de idade. Eles analisaram como os animais reagiam quando seus donos os ignoravam para interagir com três objetos: um bicho de pelúcia igual a um cachorro — que latia e abanava o rabo —, uma abóbora de Halloween e um livro. Os cachorros demonstraram significativamente mais ciúme quando o dono dava atenção ao bicho de pelúcia do que quando se concentrava nas demais peças.

Enquanto a maioria dos estudiosos se refere ao ciúme como uma emoção de complexa cognição, os autores da pesquisa sugerem que pode haver uma manifestação mais elementar do sentimento, que envolve a proteção de suas relações afetivas. Para eles, essa manifestação básica do ciúme afetou os cachorros.

“Muitas pessoas presumem que o ciúme é uma construção social humana ou uma emoção exclusiva das relações sexuais e românticas”, afirma a coautora do estudo, Christine Harris, professora do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos. “Nossos resultados desafiam essas ideias, mostrando que outros animais além de nós mesmos exibem uma forte angústia quando um rival adquire o afeto de um ente querido.”

Cães que se parecem com filhotes têm vantagem evolutiva

30/12/2013

Filhote

Ao longo da evolução, os cães ficaram mais parecidos com filhotes de lobos do que com animais adultos (Thinkstock)

Um novo estudo sugere que os cães podem ter “manipulado” a preferência do homem por animais com aspecto de filhotes para serem domesticados. A pesquisa, realizada por cientistas do Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, foi publicada no periódico Plos One, na última quinta-feira.

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CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Paedomorphic Facial Expressions Give Dogs a Selective Advantage 
Onde foi divulgada: periódico Plos One
Quem fez: Bridget M. Waller, Kate Peirce, Cátia C. Caeiro, Linda Scheider, Anne M. Burrows, Sandra McCune e Juliane Kaminski
Instituição: Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, e outras
Resultado: O estudo sugere que os cachorros evoluíram para manipular a preferência humana por características que lembram filhote.

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Os lobos foram domesticados há cerca de 18.000 anos, e evoluíram para os cães que conhecemos atualmente. Ainda não se sabe como essa transição se iniciou. Uma hipótese é de que os lobos tenham se autodomesticado, uma vez que, ao se aproximar dos humanos, obtinham alimentos com mais facilidade. Com o tempo, cães e lobos se diferenciaram na aparência, e os cachorros se tornaram mais parecidos com filhotes de lobo do que com seus exemplares adultos.

Acreditava-se que esse fenômeno, conhecido como pedomorfose (mudança através da qual os indivíduos adultos de uma espécie retêm características previamente encontradas em jovens) tenha sido consequência da domesticação, quando os animais menos agressivos foram selecionados. O novo estudo sugere, porém, que essa ocorrência não foi apenas um “efeito colateral”, mas aconteceu devido à preferência humana por bichos que se parecem com filhotes.

Olhos maiores – Ao observar um abrigo para cães, os pesquisadores notaram que os animais que faziam um tipo específico de movimento facial – levantar a parte interna das “sobrancelhas” – eram adotados mais rapidamente do que os demais. Essa expressão facial está diretamente ligada à pedomorfose, pois os olhos do animal pareceram maiores, como ocorre nos filhotes.

Reprodução

Movimento facial que faz os olhos parecerem maiores

Esse mesmo movimento, nos humanos, está associado à tristeza e à vulnerabilidade, que também se relaciona com a aparência de filhotes. Outra hipótese é a de que este movimento do rosto faz com que uma área maior da esclera (parte branca dos olhos) apareça no cachorro, o que indica capacidade de olhar especificamente para alguém. Curiosamente, características mais observadas por leigos, como balançar a cauda ou se aproximar dos humanos, não tiveram influência sobre a velocidade da adoção.

Para os autores, esse resultado sugere que os cachorros evoluíram para manipular a preferência humana por características que lembram filhotes. “Isso colabora com a hipótese de que características pedomórficas em cães domésticos surgiram como um resultado da seleção indireta feita pelos humanos, e não como um subproduto da seleção contra os indivíduos mais agressivos”, escrevem os autores no estudo.

Estudo afirma que primeiros cães foram domesticados na Europa

Veja – 14/11/2013

Os lobos são animais selvagens e perigosos. Caçadores exímios, eles ocupam o topo da pirâmide alimentar das regiões onde habitam e são extremamente arredios no contato com os seres humanos. Ainda assim, eles são os ancestrais de todas as espécies de cachorros que existem ao redor do mundo, animais muito mais dóceis e brincalhões, tão adaptados à convivência com os seres humanos que dividem com esses suas cidades, casas e famílias. Uma nova pesquisa publicada nesta quinta-feira na revista Science mostra que essa transição entre lobo selvagem e cão domesticado aconteceu na Europa há, no mínimo, 18 800 anos.

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CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Complete Mitochondrial Genomes of Ancient Canids Suggest a European Origin of Domestic DogsOnde foi divulgada: periódico ScienceQuem fez: Olaf Thalmann, entre outros pesquisadoresInstituição: Universidade de Turku, na FinlândiaDados de amostragem: Análises genéticas de dezoito fósseis pré-históricos e de 148 cães, lobos e coiotes modernosResultado: Os pesquisadores descobriram que os cães modernos descendiam de lobos que viveram na Europa há milhares de anos
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Os cães são os animais domesticados mais bem adaptados à convivência direta com os seres humanos — a ponto de se tornarem conhecidos como os melhores amigos do homem. Os cientistas sugerem que essa afinidade comportamental acontece por causa da ancestral amizade entre as duas espécies.

Durante os milhares de anos de convivência, os seres humanos foram selecionando os cães mais dóceis e brincalhões, criando uma espécie extremamente afeita à vida doméstica (em comparação, os gatos foram domesticados há cerca de 10 000 anos). Até hoje, no entanto, os cientistas ainda discutem o local e a data exatos nos quais os lobos deixaram de ser inimigos e competidores do homem e viraram parte da família.

Estudos anteriores feitos a partir da análise genética de diversas espécies de cães modernos ao redor do mundo sugeriam que os animais descendiam de lobos que viviam no Oriente Médio e no Oeste Asiático. Os fósseis mais antigos de cachorros, no entanto, foram encontrados no oeste da Europa e na Sibéria, datando de entre 15 000 e 36 000 atrás. Enquanto isso, os registros mais antigos de cães no Oriente Médio ou na China não passam de 13 000 atrás.

Instituto Real de Ciências Naturais da Bélgica


Ossada de cão encontrada na Bélgica datando de cerca de 26 000 anos atrás

Lobos e cães — Para solucionar essa aparente contradição, os pesquisadores responsáveis pelo atual estudo criaram uma espécie de mistura das duas metodologias. Eles compararam o DNA de espécies modernas de cães e lobos com o encontrado nos fósseis antigos, criando uma árvore genealógica das raças de canídeos espalhados pelo mundo.

Assim, os pesquisadores compararam o genoma extraído de 18 fósseis pré-históricos, vindos da Europa, Ásia e América, com o encontrado nas células de 49 lobos, oitenta cães e quatro coiotes modernos. Para realizar essa análise, eles estudaram o DNA mitocondrial, que não é encontrado no núcleo das células, mas nas mitocôndrias, e é transmitido diretamente das mães para os filhos. Por não ser misturado ao DNA paterno, sua análise é o melhor modo de traçar longas cadeias de hereditariedade.

Os cientistas descobriram que as sequências genéticas de todas as espécies de cães modernos se assemelhavam à dos fósseis pré-históricos europeus e à dos lobos que vivem atualmente na região. Já os lobos de outras partes do mundo apresentavam um parentesco muito mais distante dos cães, sugerindo uma origem europeia para o melhor amigo do homem. “Isso coloca os registros genéticos de acordo com os registros arqueológicos, uma vez que a Europa é o local onde os fósseis mais antigos de cães são encontrados”, diz Robert Wayne, pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que participou do estudo.


Os pesquisadores afirmam que os lobos se aproximaram dos caçadores humanos em busca das carcaças que eles deixavam para trás

Amizade de caçadores — Os fósseis de lobos e cães antigos com que os animais atuais têm maior parentesco datam de 18 800 a 32 100 anos atrás — eles são justamente os mais antigos do mundo. Segundo os pesquisadores, nessa época, a paisagem europeia era ocupada por grupos humanos de caçadores-coletores, que se aventuravam pelo continente em busca de comida.

O estudo contradiz teorias antigas, que sugeriam que os cães haviam sido domesticados a partir do advento da agricultura. Segundo essa ideia, os lobos deveriam ter sido atraídos para perto das vilas humanas pela abundância de comida vinda das colheitas, onde começariam sua convivência com os seres humanos.

Os novos dados, ao contrário, sugerem que teriam sido os caçadores-coletores os responsáveis por transformar os lobos em cães. Os cientistas sugerem que os animais selvagens teriam sido atraídos pelas carcaças que os caçadores humanos deixavam para trás. Com o tempo, eles começariam a ajudar nessas mesmas caçadas e a proteger o grupo de outros predadores, dando início ao processo de domesticação.

Companheiros de viagem — A partir daí, os cães teriam sido adotados definitivamente pelas tribos humanas, percorrendo com elas suas rotas migratórias e sendo levados a diferentes regiões pelas rotas comerciais. Os cães teriam acompanhado os humanos até em sua viagem para a América. Segundo o estudo, três fósseis de cachorros que viveram no continente antes da chegada de Colombo — de 1 000 e 8 500 anos atrás — também apresentavam parentesco com os fósseis europeus mais antigos.

Com o passar dos milênios, essa amizade se estreitou ainda mais, o que levou à criação das inúmeras raças de cães que existem ao redor do mundo. Diversas delas são tradicionalmente ligadas a algumas regiões do planeta, mas todas descendem de lobos europeus.

Cães identificam emoções uns dos outros através da forma como abanam o rabo

Veja – 04/11/2013

Movimento e emoção: cães tendem a abanar a cauda para a direita quando estão felizes e para a esquerda quando se sentem nervosos ou ansiosos

Movimento e emoção: cães tendem a abanar a cauda para a direita quando estão felizes e para a esquerda quando se sentem nervosos ou ansiosos (Thinkstock)

A forma de abanar o rabo pode dizer muito sobre o humor de um cachorro. Pode expressar felicidade em rever o dono, mas também medo ou stress. Um novo estudo, publicado no periódico Current Biology, mostrou que os cães são capazes de reconhecer em seus semelhantes os diferentes movimentos de abanar o rabo, que podem indicar se eles estão com medo ou em perigo.

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CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Seeing Left- or Right-Asymmetric Tail Wagging Produces Different Emotional Responses in DogsOnde foi divulgada: periódico Current Biology
Quem fez: Marcello Siniscalchi, Rita Lusito, Giorgio Vallortigara e Angelo Quaranta
Instituição: Universidade de Bari Aldo Moro e Universidade de Trento, na Itália
Resultado: Ao ver outro cachorro abanando o rabo para a esquerda, direção que indica perigo ou stress, os batimentos cardíacos dos cães aumentam.
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Uma pesquisa anterior descobriu que os cães tendem a movimentar a cauda para a direita quando estão felizes e para a esquerda quando se sentem nervosos ou ansiosos, como ao ver um animal do qual desconfiam, por exemplo.

Nessa nova pesquisa, os cientistas queriam descobrir se os próprios cães compreendiam essa diferença. Para isso, eles mostraram para os cachorros vídeos com outros cães balançando a cauda para a esquerda ou para a direta, e monitoraram suas reações.

Reconhecimento – Os pesquisadores observaram que quando um cachorro via o outro abanar a cauda para a esquerda, direção relacionada ao medo ou stress, seus batimentos cardíacos aumentavam e ele parecia ansioso. Mas quando o movimento era para o outro lado, não havia reação.

Com esses resultados, os autores sugerem que os cachorros podem usar a direção do abanar da cauda para expressar seu humor para os outros, ou para alertar sobre algum perigo no ambiente.

Ciência, enfim, comprova: cães conseguem imitar ações humanas

Veja 18/07/13
Pela primeira vez, uma pesquisa conseguiu comprovar que cachorros têm memória de curto e longo prazo — e podem, assim, se lembrar de ação do dono
Comportamento caninoNo estudo, os animais foram capazes de imitar tarefas realizadas por seus donos mesmo depois de um intervalo entre observar a ação e reproduzi-la (Thinkstock)

Os cachorros são capazes de aprender e guardar na memória ações que lhes foram ensinadas pelos humanos. Essa afirmação, que pode soar um tanto óbvia para quem tem ou já teve um cachorro, foi finalmente comprovada pela ciência. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, foi publicado nesta terça-feira no periódico Animal Cognition.

 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Deferred imitation and declarative memory in domestic dogs

Onde foi divulgada: periódico Animal Cognition

Quem fez: Claudia Fugazza e Ádám Miklósi

Instituição: Universidade Eötvös Loránd e MTA-ELTE Grupo de Pesquisa de Etologia Comparativa, na Hungria

Dados de amostragem: Oito cachorros domésticos adultos

Resultado: Os pesquisadores mostraram que os cachorros eram capazes de reproduzir atividades após vê-las serem executadas por humanos, mesmo com um intervalo e distrações entre a observação e a execução.

Os cães domésticos são, por natureza, muito receptivos e atraídos pela comunicação com seres humanos. Eles têm o hábito de observar os donos e humanos em geral, e, por isso, seu aprendizado é influenciado pelas pessoas que o cercam. Em outras palavras isso quer dizer que a vida em um ambiente com o homem pode ter favorecido sua capacidade de aprender com ele.

No estudo, os autores Claudia Fugazza e Adám Miklósi decidiram testar a habilidade cognitiva dos cães e descobrir se eles eram capazes de imitar as ações humanas, mesmo após um determinado intervalo de tempo. O estudo foi feito com oito cachorros domésticos adultos, treinados pelos donos de acordo com um método denominado “Do as I do” (Faça como eu, em tradução livre) — criado por Claudia e que tem como princípio avaliar a capacidade de imitação dos cães.

Os pesquisadores testaram essa capacidade nos animais após intervalos que iam de 40 segundos a 10 minutos, contados a partir do momento em que a ação era mostrada. Durante esse intervalo, os cachorros eram levados a se distrair, se engajando em outras atividades.

Teste — “Valentina, a dona, fez sua cadela Adila ficar parada e prestar atenção nela, sempre na mesma posição inicial. Três objetos foram colocados à frente de Adila, todos à mesma distância, e então Valentina demonstrou uma ação relacionada a um dos objetos, como tocar um sino”, explicou a pesquisadora, descrevendo um dos testes realizados no estudo.

A cadela e sua dona então fizeram uma pausa, durante a qual os objetos foram escondidos por uma tela. No intervalo, Adila brincou com uma bola, treinou outros truques ou ficou livre para passear, farejar a grama e latir para as pessoas que estavam por perto.

Ao final do intervalo, Adila foi colocada novamente na posição inicial e recebeu um comando genérico, para executar a ação que tinha observado antes — sem que fosse dito o nome da ação.  “Após o comando, ela realizou a atividade que tinha sido demonstrada antes”, conta Claudia. Os testes mostraram que os cachorros são capazes de reproduzir ações familiares e novas com intervalos diferentes — as primeiras puderam ser repetidas após os maiores intervalos, de até 10 minutos, enquanto atividades novas, após cerca de um minuto.

“A capacidade para codificar e lembrar uma ação após um intervalo demonstra que os cachorros têm uma representação mental da demonstração humana. Além disso, a capacidade de imitar, após um período de tempo, uma ação que não havia sido praticada antes sugere a presença de um tipo específico de memória de longo prazo nos cachorros. Esta poderia ser a memória declarativa, que se refere a conhecimentos e fatos que podem ser relembrados”, escrevem os autores no artigo.

 

Mamíferos “escolhem” o sexo de seus filhotes, diz estudo

Veja 16/07/13
Controlado pelas fêmeas, mecanismo de escolha tem como objetivo conseguir o maior número de descendentes
LeoaPara as fêmeas, ter um número maior de filhotes machos é mais arriscado, mas pode gerar um número maior de descendentes (Thinkstock)

Um estudo liderado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, confirmou uma teoria debatida há mais de 40 anos no ramo da biologia evolutiva: fêmeas de mamíferos são capazes de “escolher” o sexo dos filhotes. Elas fazem isso com a intenção de obter maior sucesso reprodutivo — em outras palavras, gerar o maior número possível de descendentes. Para fazer a descoberta, os pesquisadores analisaram 90 anos de registros de reprodução do Zoológico de San Diego e estudaram três gerações de 198 espécies diferentes de mamíferos.

 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Winning the Genetic Lottery: Biasing Birth Sex Ratio Results in More Grandchildren

Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Collette M. Thogerson, Colleen M. Brady, Richard D. Howard, Georgia J. Mason, Edmond A. Pajor, Greg A. Vicino e Joseph P. Garner

Instituição: Universidade de Stanford, EUA, e outras

Dados de amostragem: 1.627 fêmeas e 703 machos de 198 espécies de mamíferos, dos quais os pesquisadores conseguiram identificar três gerações

Resultado: Os pesquisadores descobriram que as fêmeas são capazes de escolher o sexo de seus filhotes, com objetivo de ter o maior número possível de descendentes no futuro. Essa escolha é feita de forma inconsciente e leva em consideração a posição da fêmea e de seu parceiro no grupo, o ambiente em que ela vive e as condições que terá para “investir” na criação do filhote.

“É quase como se as fêmeas estivessem em um jogo de apostas”, diz Joseph Garner, principal autor do estudo publicado no periódico Plos One, em entrevista ao site de VEJA.  Machos de diversas espécies de mamíferos têm haréns com dezenas e até centenas de fêmeas. Todas as fêmeas desse grupo podem se reproduzir. Entre os machos, apenas aqueles que detêm o harém vão procriar – os demais, não.

“Do ponto de vista da fêmea, se ela tiver uma filha estará fazendo uma aposta segura: essa filha vai produzir um filhote por ano, todos os anos. Se ela tiver um filho, estará fazendo uma aposta arriscada. Se quiser que o filho tenha condições de lutar e ganhar um harém, vai precisar colocar muito esforço na criação dele. Mas, se tiver sucesso, esse filhote lhe dará centenas de netos”, explica Garner.

Dessa forma, essa decisão é tomada — de forma inconsciente — com base na posição que essa fêmea ocupa no grupo, no status do parceiro e nos recursos que terá para criar os filhos. O que a fêmea tem a fazer é intuir se seu filho tem condições de superar os outros machos que estão sendo gerados por outras fêmeas.

Poder feminino — Em diversas áreas de estudo, a influência maior sobre a escolha do sexo do filho acaba, de certa forma, recaindo sobre o macho. “Em fisiologia reprodutiva, falamos sobre o esperma determinando o sexo do bebê. Em comportamento animal, falamos o tempo todo em machos competindo por fêmeas”, diz Garner. Mas o pesquisador lembra que são as fêmeas que fazem o maior investimento nos filhos. “Elas vão amamentá-los e carregá-los por meses ou anos. Então por que a fêmea iria aceitar passivamente a escolha do sexo? Bom, ela não vai.”

Essa teoria da escolha do sexo dos filhotes nos mamíferos foi proposta pela primeira vez em um estudo de 1973, feito por Robert Trivers e Dan Willard. Eles desafiaram a ideia de que a determinação do sexo dos filhotes é aleatória. No lugar dela, propuseram que os mamíferos podem manipular o sexo de sua cria a fim de gerar mais descendentes. A teoria foi reforçada em 1984, com um estudo de T.H. Clutton-Brock publicado na revista Nature. A pesquisa mostrava que, entre os veados-vermelhos, as fêmeas dominantes produziam uma quantidade maior de filhos machos do que aquelas de posição mais subordinada.

“O problema é que em nenhum desses exemplos alguém já tinha sido capaz de olhar para os filhos dessas fêmeas e dizer se eles foram mais bem sucedidos do que os outros, porque ninguém conseguiu acompanhar animais na natureza por três gerações”, explica Garner. Além disso, os trabalhos anteriores tinham o enfoque em apenas uma espécie.

Por isso, Garner e sua equipe decidiram utilizar os animais do zoológico para o estudo — o que não os poupou de um intenso trabalho de reconstrução do histórico reprodutivo de cada uma das espécies analisadas. No final, conseguiram 1.627 avós e 703 avôs do mundo animal, dos quais eles tinham os dados completos de três gerações. Os principais grupos de mamíferos foram representados na amostra: primatas, carnívoros, animais de casco fendido, como o boi e o búfalo, e animais de casco ímpar (ou seja, com um ou três dedos em cada pata), como os cavalos, que têm um só dedo. Os resultados mostraram que as fêmeas estavam apostando de forma correta: dentre aquelas que produziam mais machos, seus filhos tinham 2,7 mais vezes mais filhotes do que aqueles cujas mães tiveram um número balanceado de filhos machos e fêmeas.

Hipóteses — O mecanismo através do qual as fêmeas fazem esse controle, porém, ainda não foi descoberto. “Sabemos que, independente do que seja esse mecanismo, ele está ocorrendo no momento da fertilização do óvulo. Em muitas espécies nas quais ocorre essa escolha do sexo dos filhos, as fêmeas só ovulam uma vez ao ano. Então, elas têm que fazer algo no momento da fertilização do óvulo. E elas não podem fazer isso matando seletivamente embriões masculinos ou femininos, por exemplo”, explica Garner.

Outra coisa que se sabe sobre esse mecanismo é que ele não tem nenhuma relação com o esperma. “Sabemos que mesmo machos que têm mais filhos machos produzem esperma com chances iguais de gerar um filhote macho ou fêmea”, afirma Garner. Um das teorias para explicar esse fato afirma que as fêmeas conseguem acelerar ou atrasar o gameta masculino e feminino, que têm formatos diferentes, à medida que eles se movem pela mucosa do sistema reprodutivo.

Lembrando que os seres humanos também são mamíferos, Garner afirma que diversas evidências mostram que essa escolha inconsciente do sexo dos filhos ocorre também entre os humanos. Um estudo deste ano, feito com bilionários americanos, mostrou que eles têm mais chances de ter filhos do que filhas — provavelmente porque os homens tendem a ser os herdeiros. Estudos realizados em sociedades poligâmicas mostram que a primeira esposa tem mais chances de ter filhos homens do que as demais. Segundo Garner, homens mais agressivos também tendem a ter mais filhos homens, uma vez que no passado a agressividade poderia garantir a sobrevivência do macho. “Mas isso não quer dizer que se uma mulher desejar muito ter uma menina ou um menino ela vai conseguir”, explica Garner.  “Seu subconsciente e seu corpo estão tomando essa decisão por você”.

Grávidas que têm cães de estimação praticam mais atividades físicas

Veja online 16/02/2012

Pesquisa observou que essas mulheres têm 50% mais chances de atingir a recomendação diária de exercícios

Grávidas que têm cães de estimação costumam alcançar mais os níveis recomendados de atividades físicas, sugere uma nova pesquisa publicada nesta quarta-feira no periódico PLoS ONE. O estudo, feito pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, é o primeiro a estabelecer tal relação.

Estudos anteriores relacionaram o ganho de peso excessivo na gravidez com uma série de riscos ao bebê, inclusive com a obesidade infantil. Pesquisas como essas ressaltam a importância de as futuras mães buscarem uma gravidez saudável, com controle de peso e prática regular de exercícios — desde que acompanhados de orientação médica. Segundo os autores desse novo estudo, passeios com animais de estimação podem servir como uma estratégia para melhorar a saúde na gravidez.

A pesquisa avaliou 11.466 mulheres grávidas em relação à quantidade e aos tipos de exercícios físicos que faziam diariamente quando estavam entre a 18ª e a 32ª semana de gestação. Também foi observado o índice de massa corpórea das participantes antes da gravidez e se tinham ou não algum animal de estimação. Ao todo, 25% dessas mulheres possuíam um cão.

Os resultados indicaram que as mulheres que tinham cães tinham 50% mais chances de atingir a recomendação de 30 minutos de caminhada rápida ao dia do que aquelas que não possuíam um cão em casa. Além disso, passear uma vez na semana com o animal de estimação gerou efeitos positivos na saúde da mulher grávida. Não foram encontradas associações entre donas de cães e índice de massa corpórea.

“Estamos cada vez mais convencidos de que levar o cachorro para passear, além de ser um exercício de baixo risco, pode ajudar a motivar as mulheres grávidas a praticar mais atividades físicas e, portanto, garantir uma gravidez saudável”, afirma Sandra McCune, uma das autoras da pesquisa.

Embora os pesquisadores tenham observado maior índice de atividades físicas entre grávidas donas de cães de estimação, eles chamam a atenção para o fato de muitas delas não ainda estarem adequadamente envolvidas em praticarem exercícios regularmente.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Dog Ownership during Pregnancy, Maternal Activity, and Obesity: A Cross-Sectional Study

Onde foi divulgada: periódico PLoS ONE

Quem fez: Carri Westgarth, Jihong Liu, Jon Heron, Andrew R. Ness, Peter Bundred, Rosalind M. Gaskell, Alexander J. German, Sandra McCune e Susan Dawson

Instituição: Universidade de Liverpool, Inglaterra

Dados de amostragem: 11.466 mulheres grávidas de 18 a 32 semanas

Resultado: Mulheres grávidas que têm cachorros de estimação tem 50% mais chances de alcançar a recomendação de atividade física de 30 minutos diários de caminhada rápida