Ciência, enfim, comprova: cães conseguem imitar ações humanas

Veja 18/07/13
Pela primeira vez, uma pesquisa conseguiu comprovar que cachorros têm memória de curto e longo prazo — e podem, assim, se lembrar de ação do dono
Comportamento caninoNo estudo, os animais foram capazes de imitar tarefas realizadas por seus donos mesmo depois de um intervalo entre observar a ação e reproduzi-la (Thinkstock)

Os cachorros são capazes de aprender e guardar na memória ações que lhes foram ensinadas pelos humanos. Essa afirmação, que pode soar um tanto óbvia para quem tem ou já teve um cachorro, foi finalmente comprovada pela ciência. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, foi publicado nesta terça-feira no periódico Animal Cognition.

 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Deferred imitation and declarative memory in domestic dogs

Onde foi divulgada: periódico Animal Cognition

Quem fez: Claudia Fugazza e Ádám Miklósi

Instituição: Universidade Eötvös Loránd e MTA-ELTE Grupo de Pesquisa de Etologia Comparativa, na Hungria

Dados de amostragem: Oito cachorros domésticos adultos

Resultado: Os pesquisadores mostraram que os cachorros eram capazes de reproduzir atividades após vê-las serem executadas por humanos, mesmo com um intervalo e distrações entre a observação e a execução.

Os cães domésticos são, por natureza, muito receptivos e atraídos pela comunicação com seres humanos. Eles têm o hábito de observar os donos e humanos em geral, e, por isso, seu aprendizado é influenciado pelas pessoas que o cercam. Em outras palavras isso quer dizer que a vida em um ambiente com o homem pode ter favorecido sua capacidade de aprender com ele.

No estudo, os autores Claudia Fugazza e Adám Miklósi decidiram testar a habilidade cognitiva dos cães e descobrir se eles eram capazes de imitar as ações humanas, mesmo após um determinado intervalo de tempo. O estudo foi feito com oito cachorros domésticos adultos, treinados pelos donos de acordo com um método denominado “Do as I do” (Faça como eu, em tradução livre) — criado por Claudia e que tem como princípio avaliar a capacidade de imitação dos cães.

Os pesquisadores testaram essa capacidade nos animais após intervalos que iam de 40 segundos a 10 minutos, contados a partir do momento em que a ação era mostrada. Durante esse intervalo, os cachorros eram levados a se distrair, se engajando em outras atividades.

Teste — “Valentina, a dona, fez sua cadela Adila ficar parada e prestar atenção nela, sempre na mesma posição inicial. Três objetos foram colocados à frente de Adila, todos à mesma distância, e então Valentina demonstrou uma ação relacionada a um dos objetos, como tocar um sino”, explicou a pesquisadora, descrevendo um dos testes realizados no estudo.

A cadela e sua dona então fizeram uma pausa, durante a qual os objetos foram escondidos por uma tela. No intervalo, Adila brincou com uma bola, treinou outros truques ou ficou livre para passear, farejar a grama e latir para as pessoas que estavam por perto.

Ao final do intervalo, Adila foi colocada novamente na posição inicial e recebeu um comando genérico, para executar a ação que tinha observado antes — sem que fosse dito o nome da ação.  “Após o comando, ela realizou a atividade que tinha sido demonstrada antes”, conta Claudia. Os testes mostraram que os cachorros são capazes de reproduzir ações familiares e novas com intervalos diferentes — as primeiras puderam ser repetidas após os maiores intervalos, de até 10 minutos, enquanto atividades novas, após cerca de um minuto.

“A capacidade para codificar e lembrar uma ação após um intervalo demonstra que os cachorros têm uma representação mental da demonstração humana. Além disso, a capacidade de imitar, após um período de tempo, uma ação que não havia sido praticada antes sugere a presença de um tipo específico de memória de longo prazo nos cachorros. Esta poderia ser a memória declarativa, que se refere a conhecimentos e fatos que podem ser relembrados”, escrevem os autores no artigo.

 

Mamíferos “escolhem” o sexo de seus filhotes, diz estudo

Veja 16/07/13
Controlado pelas fêmeas, mecanismo de escolha tem como objetivo conseguir o maior número de descendentes
LeoaPara as fêmeas, ter um número maior de filhotes machos é mais arriscado, mas pode gerar um número maior de descendentes (Thinkstock)

Um estudo liderado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, confirmou uma teoria debatida há mais de 40 anos no ramo da biologia evolutiva: fêmeas de mamíferos são capazes de “escolher” o sexo dos filhotes. Elas fazem isso com a intenção de obter maior sucesso reprodutivo — em outras palavras, gerar o maior número possível de descendentes. Para fazer a descoberta, os pesquisadores analisaram 90 anos de registros de reprodução do Zoológico de San Diego e estudaram três gerações de 198 espécies diferentes de mamíferos.

 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Winning the Genetic Lottery: Biasing Birth Sex Ratio Results in More Grandchildren

Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Collette M. Thogerson, Colleen M. Brady, Richard D. Howard, Georgia J. Mason, Edmond A. Pajor, Greg A. Vicino e Joseph P. Garner

Instituição: Universidade de Stanford, EUA, e outras

Dados de amostragem: 1.627 fêmeas e 703 machos de 198 espécies de mamíferos, dos quais os pesquisadores conseguiram identificar três gerações

Resultado: Os pesquisadores descobriram que as fêmeas são capazes de escolher o sexo de seus filhotes, com objetivo de ter o maior número possível de descendentes no futuro. Essa escolha é feita de forma inconsciente e leva em consideração a posição da fêmea e de seu parceiro no grupo, o ambiente em que ela vive e as condições que terá para “investir” na criação do filhote.

“É quase como se as fêmeas estivessem em um jogo de apostas”, diz Joseph Garner, principal autor do estudo publicado no periódico Plos One, em entrevista ao site de VEJA.  Machos de diversas espécies de mamíferos têm haréns com dezenas e até centenas de fêmeas. Todas as fêmeas desse grupo podem se reproduzir. Entre os machos, apenas aqueles que detêm o harém vão procriar – os demais, não.

“Do ponto de vista da fêmea, se ela tiver uma filha estará fazendo uma aposta segura: essa filha vai produzir um filhote por ano, todos os anos. Se ela tiver um filho, estará fazendo uma aposta arriscada. Se quiser que o filho tenha condições de lutar e ganhar um harém, vai precisar colocar muito esforço na criação dele. Mas, se tiver sucesso, esse filhote lhe dará centenas de netos”, explica Garner.

Dessa forma, essa decisão é tomada — de forma inconsciente — com base na posição que essa fêmea ocupa no grupo, no status do parceiro e nos recursos que terá para criar os filhos. O que a fêmea tem a fazer é intuir se seu filho tem condições de superar os outros machos que estão sendo gerados por outras fêmeas.

Poder feminino — Em diversas áreas de estudo, a influência maior sobre a escolha do sexo do filho acaba, de certa forma, recaindo sobre o macho. “Em fisiologia reprodutiva, falamos sobre o esperma determinando o sexo do bebê. Em comportamento animal, falamos o tempo todo em machos competindo por fêmeas”, diz Garner. Mas o pesquisador lembra que são as fêmeas que fazem o maior investimento nos filhos. “Elas vão amamentá-los e carregá-los por meses ou anos. Então por que a fêmea iria aceitar passivamente a escolha do sexo? Bom, ela não vai.”

Essa teoria da escolha do sexo dos filhotes nos mamíferos foi proposta pela primeira vez em um estudo de 1973, feito por Robert Trivers e Dan Willard. Eles desafiaram a ideia de que a determinação do sexo dos filhotes é aleatória. No lugar dela, propuseram que os mamíferos podem manipular o sexo de sua cria a fim de gerar mais descendentes. A teoria foi reforçada em 1984, com um estudo de T.H. Clutton-Brock publicado na revista Nature. A pesquisa mostrava que, entre os veados-vermelhos, as fêmeas dominantes produziam uma quantidade maior de filhos machos do que aquelas de posição mais subordinada.

“O problema é que em nenhum desses exemplos alguém já tinha sido capaz de olhar para os filhos dessas fêmeas e dizer se eles foram mais bem sucedidos do que os outros, porque ninguém conseguiu acompanhar animais na natureza por três gerações”, explica Garner. Além disso, os trabalhos anteriores tinham o enfoque em apenas uma espécie.

Por isso, Garner e sua equipe decidiram utilizar os animais do zoológico para o estudo — o que não os poupou de um intenso trabalho de reconstrução do histórico reprodutivo de cada uma das espécies analisadas. No final, conseguiram 1.627 avós e 703 avôs do mundo animal, dos quais eles tinham os dados completos de três gerações. Os principais grupos de mamíferos foram representados na amostra: primatas, carnívoros, animais de casco fendido, como o boi e o búfalo, e animais de casco ímpar (ou seja, com um ou três dedos em cada pata), como os cavalos, que têm um só dedo. Os resultados mostraram que as fêmeas estavam apostando de forma correta: dentre aquelas que produziam mais machos, seus filhos tinham 2,7 mais vezes mais filhotes do que aqueles cujas mães tiveram um número balanceado de filhos machos e fêmeas.

Hipóteses — O mecanismo através do qual as fêmeas fazem esse controle, porém, ainda não foi descoberto. “Sabemos que, independente do que seja esse mecanismo, ele está ocorrendo no momento da fertilização do óvulo. Em muitas espécies nas quais ocorre essa escolha do sexo dos filhos, as fêmeas só ovulam uma vez ao ano. Então, elas têm que fazer algo no momento da fertilização do óvulo. E elas não podem fazer isso matando seletivamente embriões masculinos ou femininos, por exemplo”, explica Garner.

Outra coisa que se sabe sobre esse mecanismo é que ele não tem nenhuma relação com o esperma. “Sabemos que mesmo machos que têm mais filhos machos produzem esperma com chances iguais de gerar um filhote macho ou fêmea”, afirma Garner. Um das teorias para explicar esse fato afirma que as fêmeas conseguem acelerar ou atrasar o gameta masculino e feminino, que têm formatos diferentes, à medida que eles se movem pela mucosa do sistema reprodutivo.

Lembrando que os seres humanos também são mamíferos, Garner afirma que diversas evidências mostram que essa escolha inconsciente do sexo dos filhos ocorre também entre os humanos. Um estudo deste ano, feito com bilionários americanos, mostrou que eles têm mais chances de ter filhos do que filhas — provavelmente porque os homens tendem a ser os herdeiros. Estudos realizados em sociedades poligâmicas mostram que a primeira esposa tem mais chances de ter filhos homens do que as demais. Segundo Garner, homens mais agressivos também tendem a ter mais filhos homens, uma vez que no passado a agressividade poderia garantir a sobrevivência do macho. “Mas isso não quer dizer que se uma mulher desejar muito ter uma menina ou um menino ela vai conseguir”, explica Garner.  “Seu subconsciente e seu corpo estão tomando essa decisão por você”.

Evolução e comportamento

Cães domésticos são lobos que sofreram seleção para domesticação, este processo, na maioria dos casos, consiste em selecionar os animais com comportamentos mais infantis. Eles continuam sendo lobos, podemos classifica-los em uma subespécie, Canis lupus familiaris, mas não em uma espécie distinta, visto que as diferenças genotípicas são mínimas. Algumas pessoas no mundo da cinofilia defendem a ideia de que cães não são lobos, para defender esta ideia afirmam que: a convivência com o homem fez surgir mutações que favoreciam a relação, porém isto é uma visão Lamarckista do processo evolutivo e não Darwiniana. Mutações ocorrem ao acaso e não por necessidade. As poucas mutações que diferenciam cães e das outras subespécies de lobos não tem relação direta com o processo de domesticação. Mas claro que existem grandes diferenças fenotípicas entre lobos e cães, elas são decorrentes da seleção de genes já existentes em lobos. Nós humanos selecionamos os lobos mais “bobinhos”, os mais infantis, ou que eram mais submissos, os com tendência a ômega; não era interessante para o convívio um lobo que disputasse a posição de alfa do grupo com um humanos, ou agressivos. Esta seleção ao longo do tempo gerou lobos infantilizados, nossos cães. Se observarmos lobos jovens com menos de 9 meses vemos muitas semelhanças entre eles e nossos cães, tanto características físicas como comportamentais, latir é um exemplo, vemos lobos adultos latindo, mas em raríssimas ocasiões. Comportamentos complexos como pastoreio, guarda e patrulha de território são traços de comportamentos observados em lobos, nós apenas selecionamos.

Entendendo a taxonomia para compreender a evolução canina.

A classificação biológica proposta por Lineu agrupa os seres vivos por grau de similaridade, nos seguintes grupos: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. Pode haver sub e super grupos, por exemplo o termo subespécie. A classificação se baseia em proximidade evolutiva, antigamente usávamos os fenótipos para comparar, atualmente o genoma de cada espécie é uma das melhores ferramentas para este tipo de análise. O nome de cada Espécie é comporto por duas palavras e primeira indica o Gênero, deve ser escritos em destaque com a inicial do Gênero em maiúscula, exemplo Canis lupus. Alguns taxonomistas defendem o uso de subespécies outro a transformação de muitas subespécies em espécies. Vamos seguir o que é mais comum, classificação com uso de subespécies.

O Gênero Canis apresenta muitas espécies como Canis aureus, Canis rufus, Canis simiensis . Como o foque é o cão doméstico estamos falando da espécie Canis lupus , a classificação atual divide esta espécie em muitas subespécies, dentre elas Canis lupus familiaris (cão doméstico), porém existem outras subespécies e sua distribuição segue a figura abaixo.

O cão doméstico tem maior grau de parentesco com o Canis lupus arabs que ocorre na região do oriente médio, mas o processo de domesticação provavelmente ocorreu diversas vezes e com outras subspécies, o cão atual é originário da mistura destes lobos domesticados, com carga genética maior do lobo árabe, como mostra trabalho publicado na Nature  (http://blogs.nature.com/news/thegreatbeyond/2010/03/doggies_desert_development_dec.html). Outra subespécie que apresenta grande parentesco é o Canis lulus pallipes. Duas fotos destas subespécies seguem abaixo, vale apena ressaltar que as diversas cores presentes em cães são observadas em lobos, as cores abaixo não caracterizam as subepécies.

Canis lupus arabs – Lobo árabe

Canis lupus pallipes – Lobo indiano

Mas o que é Evolução?

Teoria Sintética da Evolução se baseia em dois critérios base. Mutação alteração no material genético levando ao aumentando a variabilidade genética de uma espécie através da recombinação gênica e Seleção Natural , esta pode selecionar positivamente, negativamente ou não selecionar uma série de características. Evolução não tem métas ou guias, as mutações não ocorrem por necessidade e sim ao acaso.

No passado Jean Baptiste Lamarck propôs uma teoria evolutiva que se baseava na Lei do Uso e Desuso, quanto mais se usa uma estrutura mais ela se desenvolve e se não usa ela atrofia, e Heranças dos Caracteres Adquiridos, as mudanças passavam de pai para filho. Neste pensamento as características surgiam por necessidade, a Evolução poderia ser direcionada porém estas idéias foram derrubadas por Chales Darwin e sua Teoria Evolutiva e reafirmadas pelo conhecimento atual de Genética e de Dinâmica Populacional.

Muitas vezes não percebemos mais dizemos coisas que fogem do que é Evolução de verdade, estamos pensando como Lamarck. Um exemplo disso são as expressões corriqueira: “os dentes do siso e o apêndice estão sumindo porque não precisamos mais”, ou, “cães de pastoreio ao longo do tempo foram desenvolveram a capacidade de pastorear para auxiliar na lida”. O processo evolutivo não funciona assim, são afirmações errôneas que não refletem a Evolução.

Os cães domésticos apresentam poucas características típicas, quase todas estão presentes nas populações das outras subespécies de lobos, nós selecionamos positivamente algumas características e negativamente outras, mas elas já existiam. Selecionamos muitos genes que eram selecionados negativamente pelo meio para a formação das raças distintas.

A seleção primitiva de lobos para cães favorecia os lobos com comportamento mais infantis, estes arriscam mais, aceitam a convivência com humanos com maior facilidade e são mais dóceis. Provavelmente os primeiros passos desta seleção dependeu deles e não de nós, os grupos mais pacíficos aproveitavam as sobras deixadas pelos humanos. Em algum momento a espécie humana iniciou a seleção, esta favoreceu ainda mais os infantilizados, a análise das características dos cães atuais é um grande indício. Mas eles nunca deixaram de ser lobos, o comportamento instintivo e comunicação é muito parecido em todas as subespécies.

Lobos infantilizados.

O termo “Infantilizado” é empregado para definir um adulto com muitos comportamentos infantis ou juvenis, um adulto “bobão”. Vemos isto em humanos, existem pessoas que são mais infantis, não há nenhum problema nisso, é uma característica presente na população, porém devemos tomar as devidas proporções, um humano de comportamento infantilizado, não tem nada haver com um lobo infantilizado, visto que o comportamento juvenil de um lobo e um humano são muito distintos. Um cão mantém diversos comportamentos de lobos juvenis e não desenvolve muitos comportamentos típicos de adultos. Durante a seleção nós acabamos favorecendo os infantis.

Algumas raças são mais infantilizadas e outras menos, porém perto de uma outra subespécie de lobo, não importa a raça, o cão doméstico terá sempre comportamento mais infantil.

Definir o que é comportamento infantilizado não é simples, alguns comportamentos adultos parecem infantis, lamber a boca e balançar a cauda pode ter vários significados, o lamber a pode ser apenas uma saudação, pedido de comida ou submissão, o balançar de cauda pode ser saudação, agressão, felicidade. Nem sempre estes comportamentos são infantis, mesmo observando que ocorram mais em filhotes.

Seu cão seu lobo.

Nossa espécie apresenta um potencial intelectual muito superior em comparação com lobos, porém em nossas relações com os cães muitas pessoas querem que eles entendam a nossa linguagem, não se comunicam dentro da linguagem lupina, o cão não entende ou demora a entender. O mais fácil e lógico para relação é o homem mudar sua linguagem e não o cão, um estudo simples de comportamento ou a consulta de um “psicólogo animal” de verdade serve de base para relação. Tapas, gritos, castigo, são comportamentos observados em primatas e não em cães, eles não compreendem estas coisas como estímulos negativos e sim agressões, o mesmo é válido para apelidos carinhosos, beijos e mimos, eles não compreendem isto como estímulo positivo. Mas isto é assunto para uma outra publicação.

Thiago Mendes – Canil Moreira Mendes – Schipperke e Tervueren

www.schipperke.com.br & www.tervueren.com.br

Comunicação Natural

Existem diversas formas para nos comunicarmos com nossos cães. Partindo do princípio evolutivo, a forma mais fácil de haver compreensão correta da mensagem por ambas as partes é usando a linguagem natural canina, isto implica compreender corretamente o significado de cada tipo de latido, uivo, posicionamento corporal, movimentações, toques e outros, o estudos profundo da comunicação de lobos selvagens auxilia nesta compreenção. Devido ao nosso potencial intelectual é mais simples e lógico nós humanos usarmos a língua canina nas comunicações cão X homem, o cão compreender a nossa é mais complicado.

Como podemos observar em humanos, toda comunicação gera estímulos e respostas, podemos separar estas comunicações em várias categorias, mas para simplificar usarei apenas 5: estímulospositivos, estímulos negativos, brincadeiras, informações e agressões. Devemos usar a comunicação natural e tomarmos cuidado com a humanização da comunicação, seja ao gerar ou ao compreender a comunicação. Avaliar a intensidade do estímulo dentro dos critérios naturais é muito importante, o que parece delicado para humanos pode ser muito agressivo para um cão.

Nas metodologias convencionais de adestramento a linguagem natural fica muitas vezes esquecida, as comunicações simplificadas em dois critérios, estímulos positivos e estímulos negativos. Estes por sua vem são muito humanizados ou humanos e não caninos. Tapas, gritos, castigo, são comportamentos observados em humanos e não em lobos, nossos cães não compreendem estas coisas como estímulos negativos e sim agressões, vale o mesmo para apelidos carinhosos, beijos e mimos, eles não compreendem isto como estímulo positivo.

Este tipo de comunicação encontra respostas no medo ou na premiação e não no respeito mútuo. Devemos usar a linguagem natural para educarmos nossos cães de verdade. Nós humanos devemos ser os lobos alfa de nosso cães e não os “lideres”, são conceitos bem distintos.

Citarei alguns estímulos naturais em ordem gradativa de intensidade para início da compreensão da comunicação canina, alguns pedem respostas outros não. Vou usar termos simples e não o correto cientificamente. As comunicações devem ser melhor analisadas, alterações sutis podem modificar totalmente o significado.

Estímulos positivos: latidos e grunhidos agudos; orelhas baixas e balançar de cauda; esfregar o corpo; lamber uma vez; deitar de costas; lamber como carinho; lamber a boca; trazer comida; regurgitar comida.

Estímulos negativos: rosnado; uma pata sobre o corpo; uma pata no focinho; mordida fraca no focinho; toque no abdômen; empurrão; bater de dentes; inflar o peito e erguer a cabeça; mordida média no pescoço ou dorso; ignorar o indivíduo; obrigá-lo a deitar-se de costas no chão.

Brincadeiras: latido agudos curto; bater de patas no chão; morder e correr; espojar-se; saltos horizontais, faltar de um lado para o outro.

Informações: olhar e correr em uma direção; posicionamento corporal; latidos ritmados; uivos; ganidos; balançar de cauda; lamber o ar.

Agressões: balançar de cauda ou deixar a cauda para cima, latidos e rosnados alto, bater forte com as patas, mordidas com intenção de ferir em qualquer local corpóreo.

Quando estamos educando nossos cães não faz sentido o uso de agressões, estas geram como resposta mais agressões.

Devemos avaliar a nossa comunicação, muitas vezes pensamos que estamos agradando ou “dando bronca” e na verdade estamos gerando outro tipo de estímulo, nossa comunicação humanizada pode ser compreendida de forma antagônica, o erro não é deles e sim nosso.

Thiago Mendes – Canil Moreira Mendes – Schipperke e Tervueren

Grávidas que têm cães de estimação praticam mais atividades físicas

Veja online 16/02/2012

Pesquisa observou que essas mulheres têm 50% mais chances de atingir a recomendação diária de exercícios

Grávidas que têm cães de estimação costumam alcançar mais os níveis recomendados de atividades físicas, sugere uma nova pesquisa publicada nesta quarta-feira no periódico PLoS ONE. O estudo, feito pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, é o primeiro a estabelecer tal relação.

Estudos anteriores relacionaram o ganho de peso excessivo na gravidez com uma série de riscos ao bebê, inclusive com a obesidade infantil. Pesquisas como essas ressaltam a importância de as futuras mães buscarem uma gravidez saudável, com controle de peso e prática regular de exercícios — desde que acompanhados de orientação médica. Segundo os autores desse novo estudo, passeios com animais de estimação podem servir como uma estratégia para melhorar a saúde na gravidez.

A pesquisa avaliou 11.466 mulheres grávidas em relação à quantidade e aos tipos de exercícios físicos que faziam diariamente quando estavam entre a 18ª e a 32ª semana de gestação. Também foi observado o índice de massa corpórea das participantes antes da gravidez e se tinham ou não algum animal de estimação. Ao todo, 25% dessas mulheres possuíam um cão.

Os resultados indicaram que as mulheres que tinham cães tinham 50% mais chances de atingir a recomendação de 30 minutos de caminhada rápida ao dia do que aquelas que não possuíam um cão em casa. Além disso, passear uma vez na semana com o animal de estimação gerou efeitos positivos na saúde da mulher grávida. Não foram encontradas associações entre donas de cães e índice de massa corpórea.

“Estamos cada vez mais convencidos de que levar o cachorro para passear, além de ser um exercício de baixo risco, pode ajudar a motivar as mulheres grávidas a praticar mais atividades físicas e, portanto, garantir uma gravidez saudável”, afirma Sandra McCune, uma das autoras da pesquisa.

Embora os pesquisadores tenham observado maior índice de atividades físicas entre grávidas donas de cães de estimação, eles chamam a atenção para o fato de muitas delas não ainda estarem adequadamente envolvidas em praticarem exercícios regularmente.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Dog Ownership during Pregnancy, Maternal Activity, and Obesity: A Cross-Sectional Study

Onde foi divulgada: periódico PLoS ONE

Quem fez: Carri Westgarth, Jihong Liu, Jon Heron, Andrew R. Ness, Peter Bundred, Rosalind M. Gaskell, Alexander J. German, Sandra McCune e Susan Dawson

Instituição: Universidade de Liverpool, Inglaterra

Dados de amostragem: 11.466 mulheres grávidas de 18 a 32 semanas

Resultado: Mulheres grávidas que têm cachorros de estimação tem 50% mais chances de alcançar a recomendação de atividade física de 30 minutos diários de caminhada rápida

Cães escolhem as pessoas mais gentis para pedir comida

Veja online 15/04/2011

Cachorros costumam observar o comportamento humano para aumentar suas chances de sucesso na busca por guloseimas, revela pesquisa italiana

Cachorros: pedir comida dá mais trabalho do que parece

Cachorros: pedir comida dá mais trabalho do que parece (John Howard / Thikstock)

Pedir comida para os humanos é uma atividade muito mais complexa para os cães do que pode parecer. Antes de se aproximar de alguém por debaixo da mesa, o cachorro já passou um bom tempo analisando o comportamento de cada pessoa no ambiente – e escolhe os mais simpáticos para aumentar suas chances de ganhar guloseimas. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Milão revela que os cães costumam observar os humanos ao seu redor e categorizá-los como “malvados” ou “generosos” de acordo com a maneira como tratam as demais pessoas do lugar. A partir desse ranking, os cachorros selecionam os humanos mais “dóceis” para implorar por um lanchinho.

Para realizar o experimento, os pesquisadores pediram a 100 donos de cães que fossem ao laboratório acompanhados de seus pets. No local, uma dupla de cientistas comia cereais e salsichas cozidas. De tempos em tempos, alguém entrava no laboratório e pedia um pouco da comida. Um dos cientistas prontamente compartilhava sua refeição. O outro, espantava a visita. Enquanto isso, donos e cães ficavam no canto do salão, observando tudo o que se passava.

Quando os cães eram soltos das coleiras, a maior parte deles se aproximava do cientista generoso, na expectativa de receber uma das salsichas. No geral, dois terços dos cães soube diferenciar a pessoa gentil da egoísta. O experimento mostrou que os cães pareciam prestar mais atenção ao tom de voz que os cientistas utilizaram com os pedintes, em vez da gesticulação ao entregar a comida.

Sabe-se que chimpanzés também “espiam” o comportamento dos pares de modo a concluir quais são os indivíduos mais propensos a dividir comida. Contudo, é a primeira vez pesquisadores observam comportamento semelhante em cães. O resultado foi surpreendente. “Sabemos que os cães são habilidosos, mas jamais imaginávamos que eles tiravam conclusões sobre a personalidade das pessoas apenas observando como elas se relacionam”, disse a pesquisadora Sarah Marshall-Pescini em entrevista ao jornal inglês Daily Mail.

Há 33 mil anos, o início da ‘amizade’ entre cães e homens

04/08/2011 – Veja on-line

Crânio é considerado uma raridade porque ilustra o início da domesticação do cachorro, antes da Era do Gelo. A seta indica a parte retirada pela equipe para análise de datação por carbono

Imagem: Crânio é considerado uma raridade porque ilustra o início da domesticação do cachorro, antes da Era do Gelo. A seta indica a parte retirada pela equipe para análise de datação por carbono (Divulgação/ Ovodov ND- Russian Academy of Sciences, Institute of Archaeology and Ethnography, Novosibirsk, Russia)

A amizade entre homens e cães pode ter começado há mais tempo do que se pensava: cientistas encontraram o crânio de um cão domesticado 33.000 anos atrás nas montanhas Altai, na Sibéria. O fóssil, relativo a um espécime que viveu antes da Era do Gelo, ocorrida há 20.000 mil anos, apresenta algumas das características de cães modernos. Um artigo sobre a descoberta foi publicado no periódico científico especializado PLoS ONE.

Segundo o artigo, o focinho tem tamanho similar ao de cães que habitavam a Groenlândia há 1.000 anos, e seus dentes se assemelham aos de lobos selvagens europeus que viveram 31.000 anos atrás. Isso indicaria um estágio muito preliminar de domesticação – e está longe de determinar se, naquele período, a lealdade do homem era recíproca.

Acredita-se que a domesticação do cachorro, o primeiro animal a conviver com humanos, foi um processo muito lento. A teoria mais aceita afirma que a aproximação se intensificou há cerca de 11.000 anos, junto com a agricultura. A partir daí as sociedades humanas passaram a ter excedentes de alimentos, atraindo alguns lobos mais mansos e menores. O homem oferecia comida, e o animal retribuía dando proteção contra predadores. Os mais dóceis foram ‘adotados’ pelos humanos que, por meio de seleção artificial, passaram a criar filhotes cada vez mais domesticáveis, até o ponto de se comportarem como os cachorros de hoje.

As raças caninas, contudo, são bem mais recentes. Estima-se que a mais antiga, com alguns milhares de anos de idade, seja o husky siberiano. A raça akita, do Japão, tem cerca de mil anos. Raças como o pastor alemão tem cerca de 300 anos e são frutos de seleção organizada por criadores especializados.

Nova espécie de lobo é descoberta na África

Até a análise de DNA, animal era confundido com chacais

Uma pesquisa liderada pela Universidade de Oxford descobriu uma nova espécie de lobo na África. O achado indica que os maiores canídeos chegaram à África cerca de três milhões de anos atrás, antes de se espalharem pelo Hemisfério Norte. A nova espécie é parente do lobo da Índia e do Himalaia e vinha sendo confundida com o chacal dourado. O estudo foi publicado no periódico PLoS One.

Universidade de Oxford

Espécie de lobo avistada no nordeste da África

Os cientistas coletaram uma amostra de DNA do animal e perceberam que não havia registros semelhantes no banco genético mundial. “Mal conseguimos acreditar quando isso aconteceu”, disse Eli Rueness da Universidade de Oslo (Noruega), um dos autores do estudo. A equipe encontrou exemplares da espécie no Egito e na Etiópia e acredita que ainda possa achá-los em outros lugares.

De acordo com David Macdonald, também um dos autores da pesquisa, “encontrar um lobo na África é uma notícia importante para a conservação da biodiversidade”. Para Claudio Sillero, da Universidade de Oxford, “a descoberta contribui para o entendimento da biogeografia da fauna africana, que tem ancestrais na Europa e Ásia”.

Os chacais dourados não estão em perigo de extinção, mas o novo lobo pode estar quase desaparecendo. A equipe de pesquisadores acredita ser prioridade descobrir mais detalhes sobre a espécie e mapear a localização dos indivíduos.

Cães que latem muito podem estar com depressão, diz estudo

Pesquisadores espanhóis afirmam que os cachorros que apresentam mau comportamento têm menos substâncias cerebrais relacionadas ao bem-estar do que os outros cães

por Redação Galileu
 Shutterstock
Tenha paciência com o cachorro nervoso do seu vizinho, que não para de latir e sempre tenta lhe morder, porque ele pode sofrer de depressão em vez de ser agressivo por natureza. Essa é a conclusão de um estudo feito pela Universidade de Zaragoza, na Espanha. 

A pesquisa descobriu que os cães que apresentam mau comportamento tendem a ter níveis menores de serotonina no cérebro (substância relacionada a transtornos de humor, que tem a produção estimulada por medicamentos antidepressivos) e cortisol (hormônio ligado ao estresse) do que cães mais calmos e felizes. Em humanos, a queda de serotonina é normalmente conectada a problemas como depressão e ansiedade, por exemplo.

Os autores do estudo analisaram amostras de sangue de 80 cachorros de dois hospitais veterinários após seus donos reclamarem que os animais eram agressivos. Os resultados foram comparados com amostras de sangue de 19 cachorros com o comportamento considerado “normal”. A pesquisa, que saiu na publicação científica Applied Animal Behaviour Science irá colaborar com o diagnóstico da depressão canina e facilitar a elaboração de novos tratamentos para problemas de agressividade, que poderão ser feitos à base de antidepressivos.

Cães podem ajudar criança a aprender

Pesquisa mostra que a presença de cachorros ajuda em aulas de leitura

por Redação Galileu

 Shutterstock
A pesquisadora Lori Friesen, da Universidade de Aberta, provou que o convívio com cães pode ajudar no aprendizado das crianças. No estudo, ela levou dois cães, chamados Tango e Sparky, para acompanhar as aulas de crianças de 6 a 7 anos. Segundo o site EurekAlert!, companhia canina melhorou o desempenho escolar. 

Segundo Lori, o período dos 6 aos 7 anos é essencial para determinar se a criança será um adulto leitor ou vai fugir do livros pelo resto da vida. E os cães se mostraram um importante motivador para as crianças adquirirem o hábito. Uma vez por semana, a pesquisadora levava um de seus cachorros para as aulas de escrita e leitura que ministrava. Segundo Lori, os cães ajudaram particularmente aquelas crianças que tinham problemas na hora de ler em voz alta.

A cada nova palavra que os alunos desconheciam, a professora explicava seu significado e eles ensinavam a nova palavra ao cachorro. A presença do animal era encarada pela turma como a de mais um amiguinho, dando mais confiança aos alunos e criando um ambiente que favorecia o aprendizado.

“Um terço dos alunos começou a ler ou escrever com seus próprios cachorros, em casa”, diz a professora. “As crianças estavam constantemente aprendendo e se encantando com os textos. Afinal, é assim que a criança deve encarar a literatura.”